Eliane Auer

Só quem conhece a alma do poeta é que sabe onde moram suas emoções.

Textos

Valorização da Cultura da Criança e suas Habilidades: Talentos Inatos Reconhecidos em seu Ambiente Social

Valorização da Cultura da Criança e suas Habilidades: Talentos Inatos Reconhecidos em seu Ambiente Social
Eliane Queiroz Auer ¹

Resumo: Na atualidade, existe uma preocupação material do pedagogo, voltada para as causas salariais e vantagens em fase de aposentadoria, do que nos seus alunos, responsáveis por sua renda. A preocupação com o ser humano-aluno precisa ser analisada do ponto de vista social pelos pedagogos, em parceria com as secretarias de educação, ação social e saúde, para detectar os problemas dos alunos como falta de atenção, alimentação e quais recursos a serem adotados como provimentos e revisão das práticas pedagógicas. É de maneira silenciosa que o verdadeiro papel do pedagogo está morrendo; pela falta de questionamento aos alunos, pela falta de reconhecimento social do poder público com seus projetos ambiciosos e imaturos onde o poder mais próximo como a secretaria de educação cobra muitos índices de freqüência entre outros e ainda perguntam: o porquê de tantos pedagogos deprimidos em escolas desprovidas de recursos. É reprimir menos e avançar para soluções cabíveis na área educacional. É necessário salvar os pedagogos tanto os atuais quanto os que poderão não existir, dentro de um padrão ético, valorizando o grande público-alvo, o aluno. Palavras – Chave: Orientação, escola, pedagogo, reconhecimento, aluno.

Desenvolvimento

Este artigo tem como objetivo convidar a repensar a prática pedagógica e focar o pensamento para a importância da história social do aluno formando seres pensantes, criativos, contadores de histórias e não apenas alunos "robotizados" com informações distantes da realidade social. Gardner chama a atenção para o fato de que embora as escolas declarem que preparam seus alunos para a vida, a vida não se limita apenas a raciocínios verbais e lógicos. Ele propõe que as escolas declarem que preparam seus alunos para a vida. A vida não se limita a raciocínios verbais e lógicos. Ele propõe que as escolas favoreçam o conhecimento de diversas disciplinas básicas, que encorajem seus alunos a utilizar esse conhecimento para resolver problemas e efetuar tarefas que estejam relacionadas com a vida na comunidade a que pertencem e que favoreçam o desenvolvimento das combinações intelectuais, individuais à partir da avaliação regular do potencial de cada um. Assim sendo, conhecer a vida pessoal do aluno, a sua história de vida pode ser uma grande opção para promover uma proximidade entre aluno – escola – família. Reconstruir sua história de vida, através de conceitos antropológicos não obstante a um mundo real que por ironia do destino, ele, está inserido nessa sociedade. Resgatar a auto-estima do aluno através do seu estado emocional poderá trazê-lo a um mundo mais digno em uma vivência concretizada pelo sucesso. Sua história de vida é um ponto de partida para a interdisciplinaridade na sala de aula, baseado nas adversidades conceituais familiares, acrescidas de fatos históricos, sociais e através dessa investigação na construção do conhecimento do aluno. A exposição do memorial do aluno para o orientador educacional sendo ele, um dos integrantes da equipe pedagógica, formada por orientador educacional, administrador escolar e supervisor escolar, acaba originando sonhos e reconstruindo conhecimentos através dos relatos de sua vivência. Quando passamos a conhecer o histórico do aluno, verificamos o quanto os parâmetros sociais devem ser focados dentro das instituições educacionais. O aluno guarda saberes e culturas que uma vez, expostas, poderão ser motivos de projetos a serem desenvolvidos no âmbito escolar e comunitário. É importante querer descobrir, saber argumentar com o aluno para encontrar nele, um aliado para projetos de desenvolvimento escolar. Será que os pedagogos estão conscientes do tamanho da responsabilidade que têm nas mãos? E que depende deles o futuro da humanidade? O pedagogo tem um papel fundamental na sociedade, é aquele dotado de conhecimentos, ensina e conduz o aluno, aprimorando seus conhecimentos.

Através de pesquisas feitas e coletadas em livros, na internet e o grande laboratório de pesquisa, que é a instituição de ensino em que trabalho, na atualidade; é que resolvi escrever o presente artigo, baseado nessa realidade de trabalho. Através deste artigo, compreende-se um pedido de socorro dos pedagogos que já convivi e convivo. São avaliações e avaliações, apesar dessas práticas serem necessárias para detectar as falhas existentes nos programas de ensino e nas práticas pedagógicas, poderia ficar mais claro para o pedagogo que toda a metodologia utilizada é para que destacam-se as habilidades individuais dos alunos. As ciências escondidas no interior dos lares dos alunos é uma questão de descoberta através de visitação no local, um respeito pelo aluno-cidadão. O professor poderia referenciar-se dentro dos conceitos de Howard Gardner (1985) em sua Teoria das Inteligências Múltiplas, aproveitando para desenvolver seus conteúdos a serem trabalhados , durante o ano letivo, reunindo, o conhecimento da história do aluno, aproveitando as habilidades que mais se sobressaem nos grupos de estudo,valorizando-se a inteligência do aluno.

De acordo com os dados coletados abaixo no texto de Maria Clara S. Salgado Gama (Doutora em Educação Especial pela Universidade de Colúmbia, Nova York) cada criança, tem um tipo de habilidade, que se destaca mais do que as outras. A inteligência lingüística , é onde existe uma sensibilidade maior para os sons, ritmos e significados das palavras,onde, nota-se um envolvimento maior das crianças que conseguem contar histórias com maior habilidade.Assim sendo, fazendo uma observação das outras inteligências, descritas logo abaixo,entende-se que dentro da inteligência lingüística, pode-se combinar com as outras inteligências e obter resultados positivos com essas combinações, valorizando as habilidades que se sobressaem na individualidade, oportunizando troca de experiências e um aprendizado generalizado.

Segundo Maria Clara S. Salgado Gama (Doutora em Educação Especial pela Universidade de Colúmbia, Nova York), Gardner identificou as inteligências lingüística, lógico-matemática, espacial, musical, cinestésica, interpessoal e intrapessoal. Postula que essas competências intelectuais são relativamente independentes, têm sua origem e limites genéticos próprios e substratos neuroanatômicos específicos e dispõem de processos cognitivos próprios. Segundo ele, os seres humanos dispõem de graus variados de cada uma das inteligências e maneiras diferentes com que elas se combinam e organizam e se utilizam dessas capacidades intelectuais para resolver problemas e criar produtos. Gardner ressalta que, embora estas inteligências sejam, até certo ponto, independentes uma das outras, elas raramente funcionam isoladamente. Embora algumas ocupações exemplifiquem uma inteligência, na maioria dos casos as ocupações ilustram bem a necessidade de uma combinação de inteligências. Por exemplo, um cirurgião necessita da acuidade da inteligência espacial combinada com a destreza da cinestésica.

Inteligência lingüística - Os componentes centrais da inteligência lingüística são uma sensibilidade para os sons, ritmos e significados das palavras, além de uma especial percepção das diferentes funções da linguagem. É a habilidade para usar a linguagem para convencer, agradar, estimular ou transmitir idéias. Gardner indica que é a habilidade exibida na sua maior intensidade pelos poetas. Em crianças, esta habilidade se manifesta através da capacidade para contar histórias originais ou para relatar, com precisão, experiências vividas.

Inteligência musical - Esta inteligência se manifesta através de uma habilidade para apreciar, compor ou reproduzir uma peça musical. Inclui discriminação de sons, habilidade para perceber temas musicais, sensibilidade para ritmos, texturas e timbre, e habilidade para produzir e/ou reproduzir música. A criança pequena com habilidade musical especial percebe desde cedo diferentes sons no seu ambiente e, freqüentemente, canta para si mesma.

Inteligência lógico-matemática - Os componentes centrais desta inteligência são descritos por Gardner como uma sensibilidade para padrões, ordem e sistematização. É a habilidade para explorar relações, categorias e padrões, através da manipulação de objetos ou símbolos, e para experimentar de forma controlada; é a habilidade para lidar com séries de raciocínios, para reconhecer problemas e resolvê-los. É a inteligência característica de matemáticos e cientistas Gardner, porém, explica que, embora o talento cientifico e o talento matemático possa estar presentes num mesmo indivíduo, os motivos que movem as ações dos cientistas e dos matemáticos não são os mesmos. Enquanto os matemáticos desejam criar um mundo abstrato consistente, os cientistas pretendem explicar a natureza. A criança com especial aptidão nesta inteligência demonstra facilidade para contar e fazer cálculos matemáticos e para criar notações práticas de seu raciocínio.

Inteligência espacial - Gardner descreve a inteligência espacial como a capacidade para perceber o mundo visual e espacial de forma precisa. É a habilidade para manipular formas ou objetos mentalmente e, a partir das percepções iniciais, criarem tensão, equilíbrio e composição, numa representação visual ou espacial. É a inteligência dos artistas plásticos, dos engenheiros e dos arquitetos. Em crianças pequenas, o potencial especial nessa inteligência é percebido através da habilidade para quebra-cabeças e outros jogos espaciais e a atenção a detalhes visuais.

Inteligência cinestésica - Esta inteligência se refere à habilidade para resolver problemas ou criar produtos através do uso de parte ou de todo o corpo. É a habilidade para usar a coordenação grossa ou fina em esportes, artes cênicas ou plásticas no controle dos movimentos do corpo e na manipulação de objetos com destreza. A criança especialmente dotada na inteligência cinestésica se move com graça e expressão a partir de estímulos musicais ou verbais demonstra uma grande habilidade atlética ou uma coordenação fina apurada.

Inteligência interpessoal - Esta inteligência pode ser descrita como uma habilidade pare entender e responder adequadamente a humores, temperamentos motivações e desejos de outras pessoas. Ela é mais bem apreciada na observação de psicoterapeutas, professores, políticos e vendedores bem sucedidos. Na sua forma mais primitiva, a inteligência interpessoal se manifesta em crianças pequenas como a habilidade para distinguir pessoas, e na sua forma mais avançada, como a habilidade para perceber intenções e desejos de outras pessoas e para reagir apropriadamente a partir dessa percepção. Crianças especialmente dotadas demonstram muito cedo uma habilidade para liderar outras crianças, uma vez que são extremamente sensíveis às necessidades e sentimentos de outros.

Inteligência intrapessoal - Esta inteligência é o correlativo interno da inteligência interpessoal, isto é, a habilidade para ter acesso aos próprios sentimentos, sonhos e idéias, para discriminá-los e lançar mão deles na solução de problemas pessoais. É o reconhecimento de habilidades, necessidades, desejos e inteligências próprias, a capacidade para formular uma imagem precisa de si própria e a habilidade para usar essa imagem para funcionar de forma efetiva. Como esta inteligência é a mais pessoal de todas, ela só é observável através dos sistemas simbólicos das outras inteligências, ou seja, através de manifestações lingüísticas, musicais ou cinestésicas.

Essas inteligências precisam ser trabalhadas em conjunto para que se obtenham os resultados satisfatórios com a combinação dessas inteligências. O aluno trabalha, tem vários irmãos, passa fome, "sobrevive" aos sofrimentos diários. Às vezes, por trás das informações confiadas ao pedagogo existe um pedido de socorro insuportável, implorando ajuda e o pedagogo, por sua vez, clamando ajuda, através dos seus olhos, imploram aos seus gerenciadores: - Salvem os Pedagogos! É de deixar qualquer ser humano estarrecido, porque o pedagogo não tem em mãos argumentos imediatos, muitas vezes, não tem orientação, dada por profissionais específicos para contornar situações alarmantes que ocorrem nas salas de aula. São tantas violências sofridas, são alunos com problemasque trazem para a instituição escolar, vindas do seu lar e que o pedagogo passa a ser agredido na escola.Onde vamos parar? Alguns alunos são matriculados nas escolas, com um currículo bastante negativo agressões a colegas e professores em passagem por outras escolas anteriormente, freqüentando as salas de aula e praticando algumas infrações, e muitas vezes o pedagogo sendo responsabilizado por não ter domínio de classe. Um professor, em época não muito distante,, ao meu período escolar, era considerado como um exemplo de respeito. Ouvi muitos comentários dentro da minha família, que comparava-se ao status de um juiz, até mesmo em questões salariais. Hoje, o juiz mantém-se como profissional de respeito.Pergunto: - E o pedagogo?O desrespeito com o pedagogo é muito grande e se assistirmos aos noticiários pelas emissoras de televisão e lermos os jornais, sempre terá uma notícia relacionada ao desrespeito com o pedagogo. Os pedagogos que atuam em sala de aula em bairros periféricos, quando seu meio de transporte é o coletivo, primeiro sofre com o descaso dos horários não cumpridos pelas empresas de transportes coletivos. Se o seu meio de transporte é veículo próprio, têm o carro, riscado, chicletes nas maçanetas do veículo e até mesmo é retirado de si alguns pertences. Estas são algumas reclamações de pedagogos conhecidos, de diversos bairros em que trabalham. Já me disseram algumas vezes que meu lugar não é onde trabalho, Mas, percebo que a minha missão de pedagoga está sendo realizada, onde a clientela é mais difícil de ser trabalhada, porque quando investimos no aluno, o retorno é satisfatório. A profissão de pedagogo é de doação de conhecimentos, aos alunos, contra a promoção de alguns expectadores de pedagogos. Vamos junto às comunidades, secretarias de educação, saúde ação social e outras, debater temas de como contribuir para a formação de estudantes mais conscientes e menos agressivos. A escola existe para o pedagogo que quer transmitir conhecimentos e para alunos que desejam aprender e preparar-se para um futuro promissor. Mesmo sabendo que cada vez menos jovens querem seguir a profissão de pedagogo porque os custos com o curso, não compensam os salários que virão a receber. O comprometimento com a educação, precisa sair dos discursos dos políticos e passar a cuidar dos alunos que necessitam de aprendizado e pedagogosque desejam transmitir conhecimentos. Esse compromisso envolve pedagogos que valorizam e se empenham em ensinar os alunos e não, aqueles que só aprovam aqueles alunos sem a qualificação necessária. O ensino público de qualidade depende da realização profissional do pedagogo. Portanto fica um pedido:- Salvem Os Pedagogos!Antes que as clínicas e consultórios médicos não suportem mais a quantidade de pedagogos com reclamações e problemas como: assédio moral, desgaste emocional, salário injusto, pânico social, fobia entre muitas outras situações que vão aparecendo, conseqüências do acúmulo de problemas na maioria das vezes, originados do seu ofício de pedagogo. Portanto que estou alicerçada nos parâmetros do cotidiano vivenciado com alunos em longo período na área educacional.

 

Eliane Auer (Moça Bonita)
Enviado por Eliane Auer (Moça Bonita) em 20/11/2008
Alterado em 21/10/2012


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